terça-feira, 4 de abril de 2017

Há pérolas sim


Há pérolas sim
Vivemos num mar de pedregulhos
Algumas pedras duras, outras lisas
Ocas, rasas, rolando ao sabor da maré
Com suas consistências inconsistentes
Verdadeiros retratos de um lugar comum
Mas, dentre esse mar de rochas cinzas
Há pérolas escondidas, bem guardadas
Em recônditos que alguns poucos acham
E quem acha alguma delas é abençoado
Apesar de que nada acontece por acaso
Está tudo escrito...

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Os "Jaquetinhas"


Estava lendo esses dias, na verdade vendo, pois era um vídeo, a respeito de alguns (em número considerável, resssalto) de motociclistas que são apelidados de "Jaquetinhas".
São, invariavelmente, proprietários de Harley Davidson que têm uma compulsão em, ao pilotarem suas motos, o fazerem usando jaquetas da marca, luvas da marca, camisetas da marca, botas da marca, cuecas da marca... enfim... O lance é ostentar a marca.
Se fosse só isso, dane-se... cada um é cada um e faz o que quer. Se o cara se sente bem sendo um outdoor da marca que ama, siga em frente.
O problema é que alguns desses caras se acham superiores a qualquer outro motociclista que não possua uma moto da mesma marca que a sua. Se também fosse apenas isso, dane-se. Não afetaria os outros e apenas engasgariam em sua soberba. Mas o pior é que alguns desses idiotas se julgam no direito de, ao pilotarem, ultrapassar os caras que têm motos de outras marcas tirando fininho, para se mostrarem superiores.
Convivi com esse mesmo tipo de gente no Jeep Clube de Brasília onde esse mesmo tipo de babaca era proprietário de Land Rover, desdenhando de todos as outras marcas de jipe, se endeusando e fazendo grupinhos apenas desses mesmos soberbos.
Sempre liguei o foda-se para esse tipo de gente.
Por óbvio que isso não é uma unanimidade entre os proprietários de motos dessa marca. Temos exemplos mesmo dentro no nosso motoclube, onde os dois que possuem motos Harley Davidson são super simples e não arrotam soberba, muito pelo contrário.
Em resumo, pois o texto está ficando longo, humildade e camaradagem nunca são em excesso.
Viva a graxa e abaixo o sebo!


(* Imagem extraída do canal do Carlos Gonzales no Youtube, Aliás, ao que consta, ele é o criador do termo "Jaquetinhas",)

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A RELATIVIZAÇÃO DA MORAL E DA ÉTICA


Como é triste constatar que algumas pessoas que fazem parte do seu círculo, ou que você tem algum grau de conhecimento e até admira(va?) o intelecto, possuem uma visão tão tacanha, tão astigmática, tão sectarista, onde quem lhes pensa diferente é taxado de partidário de alguém ou de simpatizante de algum partido político.
É frustrante perceber a relativização que essas mesmas pessoas fazem dos crimes que aparecem nessas conversas agora vazadas, da mesma forma que constato que o conceito de democracia, o respeito que deveriam ter com as instituições e com os direitos e garantias individuais, para eles depende da escolha de um lado polarizado, sendo aceitável ações oportunistas em nome de uma "moralização" do quadro caótico de corrupção que, também para eles, teria sido "criado por apenas um partido de esquerda".
Como bem disse o economista Rene Garcia Junior, "A moral republicana não pode ser vista ou proferida como uma escolha em que o 'meu lado, minha turma, meus compadres' são melhores dos que os outros, porque os meus e as minhas escolhas estão do lado 'certo' e o inimigo imaginário ou real personifica o mal absoluto e portanto deve ser varrido da face da terra".
O emergir dessa visão dessas pessoas a quem me refiro revela a manifestação de um raciocínio que prega a arbitrariedade, onde é possível e aceitável esticar até o limite conceitos básicos de moral e de ética, onde os fins justificariam os meios.
Muito triste isso. Triste para mim, triste para a democracia, triste para a manutenção de um bom convívio social.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O OLHAR DA ALMA


O artista tem um olhar único
Enxerga não pelos olhos
Mas pela sua própria alma
A sutileza da mensagem
Eternizada no seu traço
Traz ao olhar uma viagem
Segundos de contemplação
Uma eternidade lembrada
Uma janela que se abre
Em poesia, verso e música
Pincel ou grafite, pouco importa
Viva a arte, em todas as formas

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O Ninho

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.
Sou que nem andorinha, desconfiado.
Olho tudo ao meu redor, esquadrinho o ar.
Analiso cada detalhe de onde vou pousar.
Fazer ninho, só em algum lugar bem seguro.
Naquele lugar acolhedor, que nos faz ficar.
E que dá vontade de voltar. De sempre voltar.
Já disseram certa vez, com razão, em música:
"Quando a gente gosta, é claro que a gente cuida".

O equilíbrio, pra variar, em tudo é fundamental
Tudo demais enjoa; tudo de menos destoa.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Do Vinho ao Verbo



Vinte e um graus centígrados
Comecinho da madrugada
Em meu leito, depois de um vinho
Uma leve brisa balança a cortina
Janela aberta para o mundo
Portas abertas para o amanhã
Sentir o afagar do vento sobre a pele
Me faz pensar de olhos cerrados
Meu corpo quer descansar
A mente, por seu turno
Viaja. Livre, leve e solta
Recomeço de um tempo
De escrita solta, fugaz e leve
Da pena ao teclado, me absorvo
Falo do que sinto. Falo do que penso
Falo do que quero. E do que não quero
No fim, como dizia meu velho pai
Tudo se resume no verbo
Fui