sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Operação Derrama - Qual a Verdadeira Motivação?




Mais uma vez torno a tocar nesse assunto, hoje em especial me limitando ao Município de Itapemirim, já que tenho em mãos documentos que me autorizam a escrever este texto. Fato é que não consigo enxergar, desde o início da operação Derrama até a presente data, qualquer motivação de ordem jurídico-técnico-processual para que sejam mantidas presas as pessoas de Norma Ayub, Paulo Branco e Eder Botelho (apenas este último preso no quartel da PM em Maruípe, estando os dois primeiros em prisão domiciliar), todos ex-agentes públicos do Município de Itapemirim.


A propósito, senhores Desembargadores, protocolizei hoje uma denúncia na OEA – Organização dos Estados Americanos dando conta do que tem acontecido no âmbito da Justiça Estadual aqui no Espírito Santo com essa Operação Derrama.

Fato é que tenho em minhas mãos a cópia na íntegra de um procedimento administrativo do Ministério Público, de n.º 17, do ano de 2007, instaurado para "apurar a ocorrência de possível ilegalidade do contrato de prestação de serviços realizado entre o Município de Itapemirim e a empresa CMS Serviços S/S Ltda.”

Neste procedimento administrativo, em 18 de fevereiro de 2008, o Promotor de Justiça Robson Sartório Cavalini pediu o seu arquivamento, declarando exatamente o seguinte:

"Deste modo, não vislumbro indícios de irregularidades capazes de deflagrar outras diligências investigatórias, assim como a existência de elementos de prova e fundamentos para a propositura de ação civil pública em face do investigado, o que, de conformidade com o art. 12, caput, da Resolução n.º 15/2000, do Egrégio Colégio de Procuradores de Justiça do Estado do Espírito Santo, enseja o arquivamento deste Procedimento.”

A promoção de arquivamento foi, também, encaminhada pelo Promotor em questão para o Conselho Superior do Ministério Público para exame e deliberação, tendo sido homologada por aquele órgão superior.

Esse procedimento administrativo disse respeito ao primeiro contrato firmado pelo Município de Itapemirim com a empresa CMS, pela modalidade de inexigibilidade de licitação, nos estritos e precisos termos do art. 25 da Lei de Licitações (8.666/93), pela “notória e comprovada especialização da empresa contratada” (palavras do próprio Promotor de Justiça).

Não obstante haver o Ministério Público (MP local e o órgão colegiado superior) chancelado a legalidade da contratação em comento, é interessante noticiar que não foi Norma Ayub quem assinou o contrato com dita empresa, mas sim a vice-prefeita Sandra Peçanha, conforme se vê da imagem da parte das assinaturas do contrato ora publicada. Daí é que lanço a seguinte pergunta: 

POR QUÊ DIABOS NÃO PRENDERAM SANDRA PEÇANHA TAMBÉM???

Será que foi pelo fato de ela haver sido cooptada por Yamato Ayub Alves para dizer na Polícia o que não sabe, não entende e nunca viu?

Há muita coisa estranha acontecendo nessa história toda e vale noticiar também que foi a PETROBRÁS quem deu início a todo esses procedimentos, incomodada que estava – e está – com a descoberta de sua sonegação deslavada de impostos e – via de consequência – royalties devidos ao Município de Itapemirim. Só uma das execuções fiscais de valores por ela sonegados chega a quase 1 bilhão de reais. Com essa informação dá até para se fazer uma ilação: o que seriam 10 milhões de reais para se fazer uma operação como a pirotecnia que se viu dessa derrama toda?

A dúvida que paira nem seria sobre a dita “Operação Derrama” – até porque esta não convence mesmo – mas sim sobre, talvez, uma possível ocultação de um outro tipo de derrame de numerário que a mídia ou desconhece ou faz vistas grossas na mais absoluta cara-de-pau.

É para se pensar mesmo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Tempos Estranhos




Período estranho
Janeiro ditatorial
Fevereiro fúnebre
Violência caótica
Tempo correndo
Amigos morrendo
A Vila é um circo
A praia é dúvida
Venha logo, março
Água limpa tudo

domingo, 27 de janeiro de 2013

OPERAÇÃO DERRAMA - OS INTERESSES ESCUSOS



OPERAÇÃO DERRAMA - OS INTERESSES ESCUSOS

Ronald Mignone

"O Município de Itapemirim não detém "know how" para realizar o trabalho que foi feito pela empresa CMS."

Essa frase é minha, mas pode ser perfeitamente atribuída ao Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, uma vez que seu cerne - ou seja: a incapacidade dos Municípios do interior em tratar da questão tributária da produção de petróleo - foi objeto de decisão de seu colegiado nesse sentido em dezembro último.

Fato é que há uma confluência de interesses escusos nesse teatro dantesco que se consubstanciou nesse carnaval de prisões desmotivadas, interesses esses que vão desde a sanha desenfreada e sem limites de um irmão de Norma Ayub em prejudicar seu marido, passando pela briga pessoal entre o presidente do TCES com Claudio Salazar, dono da empresa CMS, indo até o desejo de um magistrado em galgar uma cadeira de ministro num tribunal superior em Brasília, querendo pagar de paladino da justiça capixaba. Aliás, dizem até que ele almeja a cadeira do Executivo Estadual nas próximas eleições para Governador.
Somem a isso o interesse da Petrobrás em declarar o que bem entende de sua produção para pagar menos impostos e royalties e dá para começar a entender esse intrincado jogo de interesses por trás dessa pirotecnia toda.

Norma Ayub já foi solta. Aliás, como venho dizendo, sequer deveria ter sido presa, ante a absoluta ausência de provas da prática de qualquer crime, muito menos da absurda alegação de a mesma participar de uma organização criminosa. 

Todos os demais, prefeitos, ex-prefeitos, secretários e ex-secretários, procuradores e ex-procuradores, também têm que ser libertados, pois a situação deles é exatamente igual à de Norma Ayub. Liberdade imediata, então, para Ananias Vieira, Eder Botelho e todos os demais que ainda se encontram injustamente presos!

Como também já asseverei em outros textos, o estado democrático de direito foi duramente atingido com essa operação Derrama. Mais do que um direito, é obrigação da polícia, do Ministério Público e do Tribunal de Contas investigar a contratação da CMS pelas prefeituras, mas há que se preservar os direitos e garantias individuais constitucionalmente estatuídos, pois o que se viu remonta aos tempos dos anos de chumbo, quiçá ao sistema czarista russo.

Então, desembargador Ronaldo Cardoso, já deu...

Como muito bem já disse o Procurador-Geral de Justiça, não há elementos comprobatórios do que absurdamente se alegou contra todos os envolvidos, nem muito menos encontram-se presentes os requisitos que autorizam as prisões provisórias e/ou preventivas dos investigados.

Liberdade para todos já!

TCES - O QUINTO PODER?




TCES - O QUINTO PODER?


Ronald Mignone 




Vou começar a escrever a respeito desse teatro dantesco arquitetado pelo Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, que deu azo à Operação Derrama, que culminou na prisão de prefeitos, ex-prefeitos e secretários municipais.

Inicio minha escrita dando conta de alguns números: Só no ano de 2003, uma certa empresa produtora de petróleo declarou que a produção dos poços de um determinado município do sul capixaba lhe rendeu a bela quantia de 93 milhões de reais. 
Bacana, né? Anotaram? Então vamos lá...
Por conta do trabalho da empresa CMS (que o Tribunal de Contas do ES sempre aprovou as contratações), o tal município descobriu que a empresa produtora de petróleo, que é motivo de orgulho para os brasileiros, na verdade obteve não apenas 93 milhões em 2003, mas a bagatela de 2 bilhões e pouco de reais, deixando de pagar, com seu "esquecimento" de declarar o que seria correto, um belo montante de royalties, impostos etc.
Daí pode-se fazer diversas ilações para entender as razões dessa "derrama" toda.
Estamos vivendo no Estado do Espírito Santo tempos negros, remontando à época da ditadura, onde não importam as provas (ou, no caso vertente, a absoluta ausência delas), mas sim a simples vontade de de se condenar e execrar publicamente quem contraria intere$$es grandes. 
Deu para começar a entender?
Se não me matarem antes, dentro em breve contarei isso tudo em livro, adiantando uma série de crônicas nas redes sociais, já que TODA a grande mídia é agraciada com gordas verbas publicitárias da tal querida empresa produtora de petróleo e, à toda obviedade, não publicarão nada que contrarie os interesses de tal empresa.
No final, o Estado do Espírito Santo ainda terá que pagar indenizações por danos morais a essas pessoas todas que foram presas por conta dessa hanna (opa! Foi mal, era para escrever gana) toda em querer calar a voz e os atos lícitos - afirmo - de quem estava simplesmente conseguindo cumprir o que a própria lei determina ao agente público: que é tomar atitudes para arrecadar o que de fato lhe é devido de impostos, royalties etc.
O dossiê já está pronto, dando conta desde o início das razões disso tudo estar acontecendo.
Esse teatro todo para acobertar o erro da balança de impostos e royalties é uma vergonha para um Estado que pretende lutar para conservar seu direito.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Café Esfriou



Deixei meu café esfriar na xícara
Instante de pausa em minh'alma
Com o olhar fixo em lugar algum
Sequer ouço aquilo que me falam
Os ruídos me chegando abafados
Como se estivesse debaixo d'água
Lembro de gostar dessa sensação
Memórias de tempos findos, pueris
Desde criança eu sempre fazia isso
No mar ouvia um ruído de motor
Ainda o escuto quando mergulho
Sempre ouvi esse som, nitidamente
Nunca consegui identificar o que é
Nem ninguém conseguiu me dizer
Mergulhar a cabeça ou de cabeça
Por ora não sei o que me é melhor
A vida sempre mostra bifurcações
Só sei de uma coisa neste instante
Preciso pegar outro café

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


A ausência possui nuances interessantes
Quando necessária, aumenta a vontade
Se é claramente propositada, desanima
Não se trata relacionamento como jogo
Não há que se ter disputa, competição
Não é vergonhoso dizer que sente falta
Pensar que está se expondo assim é erro
Manifestação de uma evidente insegurança
São oportunidades felizes que se perdem
É o "não demonstrar para não se expor"
Tolice pueril de quem ainda não entende
Que todo amor é entrega, é permitir-se
Felizes os que se expõem, que acreditam
O amor é uma torneira, há que ser aberta
Quem deixa o fluxo de energia correr livre
Mais e mais se impregna da boa energia
Não imponha sua ausência, pois ela fala
E quando ela assim fala, o outro se cala
Viver um amor sinonimiza correr riscos
E se a ausência fala, não mais arrisco
E se não arrisco
Risco