domingo, 16 de junho de 2013

Dois Lobos



Todos têm dois lobos dentro de si
É o tal do Yin e Yang dos orientais
Ou o animalesco versos o socializado
Todo mundo tem um lado mórbido
Ou ainda um viés de fúria incontida
Sendo, ao mesmo tempo, dócil, suave
Há uma lenda indígena que trata disso
Sobre qual dos dois lobos irá sobressair
A reposta é sábia, simples e verdadeira
Sobressairá aquele que alimentarmos

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Portas



_______________________

Às vezes não se fecha a porta
Apenas pára de convidar a entrar
Mas ela continua aberta
Querendo entrar
Nem precisa bater


_______________________


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma Velha Nova Estrada



Há que haver sentido no caminhar
E o que fica é o que nos fez sentido
Tudo o que deixamos para trás escrito
Vivido, errado, acertando, aprendido
Mas já teremos sentido o suficiente?
Quantos passos mais deveremos dar?
Quão mais bifurcações nos surgirão?
Não se trata mais de bem ou de mal
Mas agora de escolhas sintomáticas
Frutos de ações livremente exercidas
Quiçá eu soubesse por onde trilhar
Essas estradas em ípsilones vários
Viajo ao sabor do vento, liberdade
Queria, contudo, meu ninho de volta
Sentido franco de amor em vontade
São elas, as coisas que vem do coração
Que darão o tom da escolha do sentido
A ser tomado nessa novel estrada
Preparem seus motores, cavalheiros
E apertem os cintos, pois o piloto surtou

quarta-feira, 12 de junho de 2013

12 de Junho - Vaticínios en Español



Pero hoy me callo
No tengo ganas de hablar
Nada - eso es todo lo que me queda

Finos Traços



O passado é um traço
Meu caminho eu faço
Dos senões me desfaço
Forjo o meu peito em aço
Quando o ar me é escasso
Procuro-te, meu espaço
Prendendo-a como um laço
Estás tu, felicidade a um passo
Não cabe mais o erro crasso
Que me retira do compasso
Volto, pois, ao meu bom traço
Que só eu posso, faço, traço
À minha vida, o meu abraço

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Seres Emocionais

Há pessoas que são diferentes
Elas simplesmente o são
Dotadas de uma inteligência rara
Com uma veia poética aflorada
Vêem o mundo sob um prisma de alma
Normalmente são fortes, donas de si
Com respostas firmes e prontas para tudo
Por vezes, entretanto, são incompreendidas
E se isso lhes toca fundo e aflige o emocional
Elas se perdem, se desmontam, se desarticulam
Podendo chegar ao ponto de se autodestruírem
Flertando por vezes até mesmo com o breu terminal
Bom é que possuem uma capacidade ímpar
De soerguerem-se, de recuperação
O perigo é quando estão cegas e perdem o ar
Em picos dentro da linha baixa da normalidade
São elas sobreviventes sempre
Felizes os que os compreendem
E que desfrutam de seu amor
Que se permitem por eles serem amados
E que compreendem seus conflitos
Que entendem seus silêncios
E os amam sem questionamentos
E o amor é assim...
Quando menos se merece 
É quando mais dele se precisa




quarta-feira, 5 de junho de 2013

Sons em Cores



Pinto versos em aquarelas de jardins
De olhos bem fechados vejo os tons
As notas saltam, pulam ao meu redor
Cores e tons em harmonia e em paz
Não distingo mais onde cada um está
Se é a cor que para mim canta e dança
Ou o verso que me encanta em cores   
Vejo as notas, ouço as cores dançando
Fazendo, criando uma melodia sinestésica
Música para meus olhos e ouvidos inquietos
Abram as cortinas, o show está para começar
Sons de cores, cores de tons em desatino
A criar uma música ímpar, para olhos e ouvidos
Quem puder, que lhe ouça e  lhe aprecie
Sinta-a na pele, se também puder
Meus cumprimentos à plateia