terça-feira, 5 de março de 2013

Interiormente Falando


Não gosto mais de cidade grande

O giro alto não é mais para mim

Trânsito caótico, gente impaciente, mau humorada

Abandonei esse (mau) hábito há alguns anos

Já curti bastante viver na selva de pedra

Hoje o mato, a tranquilidade me seduzem mais

Nada de buzinas, daquele corre-corre frenético

Formigueiro de gente sem motivo e razão

Dirijo hoje com calma, com tempo até de meditar

Mudança mais do que sadia de hábitos

Inversão total de valores antes em alta

Viva o simples, viva o giro baixo

O verde é mais bonito que o cinza

Loucuras Sãs



Loucuras por vezes são bem vindas

Refrescam a mente, renovam o corpo

Felizes os que se permitem enlouquecer

Por um instante apenas se permitirem

Viver todo o tempo são deve ser muito chato

A vida é por demais singela para prisões

Cárceres emocionais por vezes voluntários

Pobres pessoas sãs que não se permitem

Podem me chamar de louco o quanto quiserem

Minha loucura sazonal é meu linimento

Bálsamo para meu espírito e alma inquietos

Vida longa aos que me entendem

Ou não...


Instantes Desconexos



A luta e a labuta diária anestesiam

Transportam para recônditos da mente

Alegrias, prazeres, que passam ao esquecimento

Dias, anos, uma ou duas décadas sobrevivendo

Razões distantes da fome e sede da alma

Atendendo à necessidades diuturnas prementes

Felizes os que se desconectam, se desamarram

Irrompem um horizonte amplo que liberta

Quiçá algum dia eu possa bradar com força

"Liberdade para minha alma irriquieta!"

Livrar-me dos grilhões que vivem a sufocar-me

Liberdade para a vida e o viver livre

É só o que almejo...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Morte Anunciada



Quantos por aqui já passaram?
Suor, sangue, grilhões, lágrimas
Almas acorrentadas ao vil metal
Dor, costas em carne viva
Riqueza e pobreza antagônicas
Um pobre barão ganancioso
O velho Trapiche hoje agoniza
Retrato do declínio de uma era
Salvem a memória para o povo
Não deixem o velho trapiche morrer

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Operação Derrama - Qual a Verdadeira Motivação?




Mais uma vez torno a tocar nesse assunto, hoje em especial me limitando ao Município de Itapemirim, já que tenho em mãos documentos que me autorizam a escrever este texto. Fato é que não consigo enxergar, desde o início da operação Derrama até a presente data, qualquer motivação de ordem jurídico-técnico-processual para que sejam mantidas presas as pessoas de Norma Ayub, Paulo Branco e Eder Botelho (apenas este último preso no quartel da PM em Maruípe, estando os dois primeiros em prisão domiciliar), todos ex-agentes públicos do Município de Itapemirim.


A propósito, senhores Desembargadores, protocolizei hoje uma denúncia na OEA – Organização dos Estados Americanos dando conta do que tem acontecido no âmbito da Justiça Estadual aqui no Espírito Santo com essa Operação Derrama.

Fato é que tenho em minhas mãos a cópia na íntegra de um procedimento administrativo do Ministério Público, de n.º 17, do ano de 2007, instaurado para "apurar a ocorrência de possível ilegalidade do contrato de prestação de serviços realizado entre o Município de Itapemirim e a empresa CMS Serviços S/S Ltda.”

Neste procedimento administrativo, em 18 de fevereiro de 2008, o Promotor de Justiça Robson Sartório Cavalini pediu o seu arquivamento, declarando exatamente o seguinte:

"Deste modo, não vislumbro indícios de irregularidades capazes de deflagrar outras diligências investigatórias, assim como a existência de elementos de prova e fundamentos para a propositura de ação civil pública em face do investigado, o que, de conformidade com o art. 12, caput, da Resolução n.º 15/2000, do Egrégio Colégio de Procuradores de Justiça do Estado do Espírito Santo, enseja o arquivamento deste Procedimento.”

A promoção de arquivamento foi, também, encaminhada pelo Promotor em questão para o Conselho Superior do Ministério Público para exame e deliberação, tendo sido homologada por aquele órgão superior.

Esse procedimento administrativo disse respeito ao primeiro contrato firmado pelo Município de Itapemirim com a empresa CMS, pela modalidade de inexigibilidade de licitação, nos estritos e precisos termos do art. 25 da Lei de Licitações (8.666/93), pela “notória e comprovada especialização da empresa contratada” (palavras do próprio Promotor de Justiça).

Não obstante haver o Ministério Público (MP local e o órgão colegiado superior) chancelado a legalidade da contratação em comento, é interessante noticiar que não foi Norma Ayub quem assinou o contrato com dita empresa, mas sim a vice-prefeita Sandra Peçanha, conforme se vê da imagem da parte das assinaturas do contrato ora publicada. Daí é que lanço a seguinte pergunta: 

POR QUÊ DIABOS NÃO PRENDERAM SANDRA PEÇANHA TAMBÉM???

Será que foi pelo fato de ela haver sido cooptada por Yamato Ayub Alves para dizer na Polícia o que não sabe, não entende e nunca viu?

Há muita coisa estranha acontecendo nessa história toda e vale noticiar também que foi a PETROBRÁS quem deu início a todo esses procedimentos, incomodada que estava – e está – com a descoberta de sua sonegação deslavada de impostos e – via de consequência – royalties devidos ao Município de Itapemirim. Só uma das execuções fiscais de valores por ela sonegados chega a quase 1 bilhão de reais. Com essa informação dá até para se fazer uma ilação: o que seriam 10 milhões de reais para se fazer uma operação como a pirotecnia que se viu dessa derrama toda?

A dúvida que paira nem seria sobre a dita “Operação Derrama” – até porque esta não convence mesmo – mas sim sobre, talvez, uma possível ocultação de um outro tipo de derrame de numerário que a mídia ou desconhece ou faz vistas grossas na mais absoluta cara-de-pau.

É para se pensar mesmo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Tempos Estranhos




Período estranho
Janeiro ditatorial
Fevereiro fúnebre
Violência caótica
Tempo correndo
Amigos morrendo
A Vila é um circo
A praia é dúvida
Venha logo, março
Água limpa tudo