segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sons do silêncio




Ando ouvindo o silêncio
Que me diz bastante
Sobre mim e sobre tudo
Sobretudo acerca do hoje

A solidão no burburinho
Uma alma isolada, alheia
Desconectada do círculo
Do caos que lhe acerca

O som do silêncio clama
Anseia por paz e calma
A quietude que constrói
Remetendo a si mesmo

Sigo sempre aprendendo
Ouvindo, calando, vendo
Sentindo o cheiro do ar
A brisa acaricando a face

Pouca coisa hoje me distrai
Me tira de minha meditação
Perguntam-me porque calo
A resposta é sempre uma só

Um sorriso de canto de boca
Analisando, lendo o momento
Ouvindo, sentindo o vozerio
Por ora nada falo, apenas sorrio

Preparo-me nesse aparente vazio
Ensaiando os passos necessários
O caminhar é certo, há que ser
Jamais subestime um leonino

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sláinte!



Um bom vinho a noite pede
Para regar uma boa conversa
De corações leves, mentes sãs
Assuntos tonantes, notas altas

Temos sede de boas músicas
Vontade de degustar risadas
Pés descalços, roupas soltas
Sem apertar, marcar, prender


 
Falar, cantar de braços abertos
Italianamente (minha cara isso)
Há quem se incomode, é fato
E daí, de ombros eu dou sempre

Ser feliz é fácil (para quem pode)
Basta não querer convencer
Nem ser convincente demais
Sob o risco de ficar forçado

Para quem é livre o riso é fácil
Os olhos sorriem em compasso
Com a gargalhada que contagia
A todos que energia boa trocam

Um brinde à vida, à alegria, ao riso
Que vá para o ralo o mau-humor
Há sempre caminhos e caminhos
Cada um segue o que achar melhor

Vinde a mim os bons fluidos, puros
Emanados de quem vibra comigo
Que absorvem e que também cedem
Meu caminho é iluminado, ensolarado

Sláinte!!

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vida leve



Vento leve
Brisa
Vida simples
Riso
Tamborilar dentes
Mania
Sorrir com os olhos
Sempre
Olhar ao longe
Hoje
Eriçar pelos
Resposta

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Frugalidades



Tenho a alma inquieta
Ainda que eu pouco almeje
Não é fácil satisfazer-me
Anseio pelo que me arrepie
Que me supreenda, me toque
O frugal que não seja simplório
O tenaz que não oprima, ofusque
Há sempre uma linha tênue
Entre fazer sorrir e ser ridículo
Mas ser ridículo também é bom
Às vezes faz bem ser assim
Quebrar regras, protocolos
Travessuras pueris, inocentes
Sorrisos francos, honestos
Palavras desnecessárias
Olhares que dizem tudo
Viver é mesmo uma arte
E no meu palco sou ator
Protagonista de mim mesmo
A procura de belos scripts
Com enredos e atores reais
Cenários bem montados, firmes
A seguir, cenas do próximo capítulo
Nossos comerciais, por favor


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Simplicidade - Reciprocidade



Não preciso de muita coisa
Ser feliz é ter simplicidade
É ver o que poucos enxergam
Em coisas pequenas, banais até
É preciso doar-se por inteiro
Não me servem metades
Nem tampouco meias verdades
Ando lendo demais as pessoas
Não me contento com pouco
Doo-me por inteiro, íntegro
Não exijo nada de ninguém
Cada um dá apenas o que tem
Mas o direito de não me contentar
É meu. Só meu. E me afasto
Afugento tudo o que não me sacia
Afasto o que não me convém
O que não me contenta, expulso
O tempo me tornou pouco tolerante
Mas não quero nada de mais
Nada que eu não mereça
Além do que sempre ofereço
Viver é sempre uma arte
A arte de doar-se. Ou não
Depende de quem mereça
E que também se doe
Mesmo que doa

domingo, 1 de julho de 2012

Sinfonias modernas



Aquarela de uma só nuance
Sinfonia de um só tom
Sem acústica, sem eco
Todos estão surdos
(Ou cegos)
Estradas áridas
Sem brilho, secas
Parecem um fado ruim
Ou um blues de quinta
Quiçá um sertanejo moderno
Não sei se aperto o "forward"
Ou se ligo logo o "exploda-se"
Sendo educado ao dizer o último
Ah...Vou ali
Tomar meu café da manhã

terça-feira, 12 de junho de 2012

Saudade do amanhã



Não sinto mais o passar dos dias
Ainda que letárgicas as horas
Lentas, mansas como uma brisa 
Em verões quentes, preguiçosa
Espectro do meu próprio existir
Desconectada alma em carne viva
Sou prisioneiro de mim mesmo
Atado ao que ainda não vivi
Vestígios de uma existência
Afinal, tudo é cíclico, vem e vai
Que venha, então, a fria brisa
Que acalme ou apazigue o ser
O querer, o estar, o deixar ir
Vidas que seguem, alheias 
Ao caos, à dor, ao sofrimento
Viver é uma arte, ainda que doa