quinta-feira, 12 de julho de 2012

Vida leve



Vento leve
Brisa
Vida simples
Riso
Tamborilar dentes
Mania
Sorrir com os olhos
Sempre
Olhar ao longe
Hoje
Eriçar pelos
Resposta

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Frugalidades



Tenho a alma inquieta
Ainda que eu pouco almeje
Não é fácil satisfazer-me
Anseio pelo que me arrepie
Que me supreenda, me toque
O frugal que não seja simplório
O tenaz que não oprima, ofusque
Há sempre uma linha tênue
Entre fazer sorrir e ser ridículo
Mas ser ridículo também é bom
Às vezes faz bem ser assim
Quebrar regras, protocolos
Travessuras pueris, inocentes
Sorrisos francos, honestos
Palavras desnecessárias
Olhares que dizem tudo
Viver é mesmo uma arte
E no meu palco sou ator
Protagonista de mim mesmo
A procura de belos scripts
Com enredos e atores reais
Cenários bem montados, firmes
A seguir, cenas do próximo capítulo
Nossos comerciais, por favor


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Simplicidade - Reciprocidade



Não preciso de muita coisa
Ser feliz é ter simplicidade
É ver o que poucos enxergam
Em coisas pequenas, banais até
É preciso doar-se por inteiro
Não me servem metades
Nem tampouco meias verdades
Ando lendo demais as pessoas
Não me contento com pouco
Doo-me por inteiro, íntegro
Não exijo nada de ninguém
Cada um dá apenas o que tem
Mas o direito de não me contentar
É meu. Só meu. E me afasto
Afugento tudo o que não me sacia
Afasto o que não me convém
O que não me contenta, expulso
O tempo me tornou pouco tolerante
Mas não quero nada de mais
Nada que eu não mereça
Além do que sempre ofereço
Viver é sempre uma arte
A arte de doar-se. Ou não
Depende de quem mereça
E que também se doe
Mesmo que doa

domingo, 1 de julho de 2012

Sinfonias modernas



Aquarela de uma só nuance
Sinfonia de um só tom
Sem acústica, sem eco
Todos estão surdos
(Ou cegos)
Estradas áridas
Sem brilho, secas
Parecem um fado ruim
Ou um blues de quinta
Quiçá um sertanejo moderno
Não sei se aperto o "forward"
Ou se ligo logo o "exploda-se"
Sendo educado ao dizer o último
Ah...Vou ali
Tomar meu café da manhã

terça-feira, 12 de junho de 2012

Saudade do amanhã



Não sinto mais o passar dos dias
Ainda que letárgicas as horas
Lentas, mansas como uma brisa 
Em verões quentes, preguiçosa
Espectro do meu próprio existir
Desconectada alma em carne viva
Sou prisioneiro de mim mesmo
Atado ao que ainda não vivi
Vestígios de uma existência
Afinal, tudo é cíclico, vem e vai
Que venha, então, a fria brisa
Que acalme ou apazigue o ser
O querer, o estar, o deixar ir
Vidas que seguem, alheias 
Ao caos, à dor, ao sofrimento
Viver é uma arte, ainda que doa

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Já foi saudade


Sinto saudade de surpresas
De viver tempos de sonhos
Curtir a hora mágica do dia
Respirar fundo, sentir o ar
Sorrir com os olhos fechados
Sorriso franco e espontâneo
Rir à toa do nada e de tudo
Saudades do frio na barriga
De nem mais precisar falar
Bastando sentir um só olhar
Quando as palavram sobram
Sinto saudades do tempo
Tempo que um dia se foi
E também do que não foi
Sinto saudades do que virá

sexta-feira, 8 de junho de 2012

O mar me acalma




O mar me remete a mim mesmo
Vejo o seu cheiro, sinto seu som
Sinestesicamente, desse jeito...
Em dias de mar calmo, me escuto
Vejo o que tenho a dizer de mim
E me falo o que normalmente calo
Faço rabiscos na areia, traços rápidos
Hieroglifos que só mesmo eu entendo
Momentos íntimos, para mim e por mim
É um privilégio poder morar à beira-mar
Giro baixo, fácil. Vida tranquila, serena
Alimento farto para corpos, almas e mentes
Gente inquieta, ávida por sinergia, trocas
O ir e vir das ondas, seu som, seu cheiro
Me inebriam, me hipnotizam irresistivelmente
Sou de um signo de fogo, ele me tranquiliza
Minhas mãos, sempre quentes, suavizam-se
Minha energia em excesso flui, quando lhe toco
Só quem mora junto ao mar entende isso
É como sempre digo:
Quem mora aqui sabe...